Recuperação de pastagens é uma das recomendações essenciais para que produtor mantenha boa produtividade
O sistema de produção
integração Lavoura-Pecuária (iLP) visa integrar os componentes pecuário e
agrícola (em rotação, consórcio e sucessão) na mesma área, em um mesmo
ano agrícola ou por vários anos.
Um dos objetivos do iLP é buscar soluções eficazes para o setor
produtivo. A recuperação de pastagens degradadas é uma das
recomendações essenciais para que o produtor mantenha uma boa
produtividade sem precisar expandir a área plantada.
O pesquisador da
Embrapa Milho e Sorgo (Sete
Lagoas/MG), Antônio Marcos Coelho, esclarece que na maioria das regiões
produtivas do Brasil predomina o solo com baixa fertilidade natural e
com alta acidez.
Em consequência, ocorre a necessidade de importação de fertilizantes.
Para a safra de 2011/2012 foi necessário importar 70% dos insumos, o
que representou um gasto de nove bilhões de dólares.
"Esse percentual tem crescido a uma taxa de 4% ao ano no Brasil.
Por
isso, para reverter essa situação, é necessário construir a fertilidade
dos solos, usando tecnologias mais eficientes, que permitam reduzir o
uso de fertilizantes", afirma.
O manejo da fertilidade do solo começa com uma boa amostragem para
análise química e física de fertilidade. O diagnóstico da análise
permitirá fazer um planejamento da adubação, considerando as culturas
que vão compor os sistemas de produção, a exemplo do milho consorciado.
"Temos que observar também as exigências nutricionais das culturas e
compor o solo com os nutrientes necessários para a cultura mais
exigente. Isso nos dá como retorno maior sustentabilidade do sistema e
ganhos econômicos", coloca Antônio Marcos.
O calcário e o gesso agrícola são dois insumos utilizados para
corrigir o solo. Assim como para fazer a calagem, o resultado da análise
de solo permitirá mensurar, também, a necessidade ou não de aplicação
de gesso.
A quantidade de gesso é determinada após a verificação do grau de
acidez na camada subsuperficial do solo, abaixo dos 20 cm de
profundidade.
"Se essa camada apresentar grau de acidez que prejudique a planta,
bem como baixo teor de cálcio, é justificado o uso do gesso agrícola. O
gesso proporcionará uma melhoria da fertilidade do solo e maior
desenvolvimento do sistema radicular da planta. Consequentemente, haverá
maior tolerância da cultura aos períodos de déficit hídrico", orienta
Antônio Marcos.
O representante da Agronelli – Insumos Agrícolas, João Donizette do
Amaral Júnior, ressalta que o gesso agrícola é um fertilizante
condicionador de solos, porque é uma fonte eficiente de cálcio e
enxofre, promove maior desenvolvimento radicular em profundidade e
permite a redução da saturação por alumínio.
"O gesso agrícola aumenta a eficiência agronômica no aproveitamento
dos fertilizantes e promove maior resistência da planta à seca e maior
acesso ao volume de água e nutrientes disponíveis no solo", diz.
Ao fazer o planejamento da adubação para o cultivo de gramíneas o
produtor deve observar, na análise laboratorial, todos os
micronutrientes necessários para o solo e dar especial atenção aos
elementos zinco e boro, que são limitantes para a produtividade do solo.
Antônio Marcos alerta para a necessidade de se fazer a adubação
nitrogenada de cobertura, principalmente para o cultivo de gramíneas
como o milho e a brachiaria para pastagem.
Para isso, o produtor precisa observar o resultado da análise química
do solo e determinar qual potencial produtivo deseja alcançar na safra.
"As exigências nutricionais das culturas em relação aos componentes
nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) também devem ser avaliadas" afirma.
Cama de frango é uma alternativa de adubo orgânico
A cama de frango é um adubo orgânico que pode ser utilizado para a
preparação do solo nos sistemas de iLP. É uma compostagem eficiente para
eliminar agentes patogênicos, evitar a infestação de moscas e a
proliferação de pragas de solo como cupins e larvas de besouros.
O gerente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (
Emater-MG),
Walfrido Machado Albernaz, informa que a região de Sete Lagoas (MG) tem
a maior produção desse fertilizante natural no Estado.
"A adubação com a cama-de-frango permanece por mais de um ano. Porém,
antes de aplicar esse recurso, o produtor deve fazer a análise de solo e
do composto para a adubação, de acordo com a exigência nutricional da
cultura a ser semeada, para, se necessário complementar com adubo
químico", diz.
De acordo com a Emater, a análise do fertilizante orgânico, que neste
caso é a cama de frango, é necessária para determinar a quantidade de
nitrogênio, fósforo e potássio que o fertilizante possui.
Além de nitrogênio, potássio e fósforo, enxofre, zinco, cálcio,
magnésio, ferro, cobre e outros micronutrientes, a cama de frango
também possui matéria orgânica.
A matéria orgânica melhora a capacidade de armazenamento de água,
facilita o crescimento das raízes das plantas e retém água e nutrientes
no solo.
"Para ser mais viável como fertilizante, a cama de frango deverá ser
compostada usando-se aditivos biológicos e químicos, como fosfato,
gesso, etc. Além disso, a mistura da cama de frango com o esterco
bovino pode favorecer a compostagem, pois melhora a relação
carbono-nitrogênio", afirma Albernaz.
Walfrido considera que são necessários mais investimentos em pesquisa
para o desenvolvimento de melhorias contínuas no processo de
compostagem, na distribuição e na transferência da tecnologia para os
produtores.
Ele destaca também a necessidade de haver maior fiscalização do uso
irregular da cama de frango para incentivar sua melhor utilização como
fertilizante.
Pastejo de animais favorece a recuperação do solo
A pastagem realizada em área degradada faz o rebanho bovino produzir
mais gás metano e ocasiona o aumento da emissão de gases de efeito
estufa, além de prejudicar o desenvolvimento dos animais.
"No sistema integração Lavoura-Pecuária recomenda-se ao produtor faz
er
a rotação das culturas e dos pastos, para beneficiar os dois sistemas. O
manejo adequado propicia ganho de peso para os animais nos períodos de
seca e equilíbrio na época de chuva", orienta o médico veterinário da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fabiano Alvim.
Outro benefício de pastagens intensificadas é evitar a desertificação do solo.
"Muitas áreas desertas decorrem da ausência de herbívoros. O pastejo
com animais pode reverter a situação. Além disso, para o pecuarista, uma
área bem tratada, proporciona maior produção de leite ou de carne, com
menos animais", afirma Leovegildo Lopes de Matos, pesquisador da
Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora/MG).
"O solo é o principal recurso do produtor, de onde ele deve tirar o
recurso (forragem e grãos) para alimentar melhor o rebanho. O gado bem
alimentado tem mais saúde e gera mais lucro", afirma Matos.
Garantia de safra
O
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) é
uma das instituições financeiras que incentivam os produtores que
adotam os sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), por
meio do "Projeto Rural Sustentável".
De acordo com o gerente, Tiago Araújo Mendes, o projeto busca levar
tecnologias para serem implementadas no campo, a fim de evitar perdas de
safras e apoiar o produtor com financiamentos e capacitação técnica e
gerencial.
Fonte:Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Fonte: Portal Brasil, 7 de janeiro